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25 Nov 2008 

Legislação Brasileira

 


Os artigos 231 (tráfico internacional de mulheres para fins de prostituição), 227, 228 e 229 (as diversas formas de lenocínio) do Código Penal brasileiro (1940); e o artigo 244-A (submissão de crianças e adolescentes à prostituição e à exploração sexual) do Estatuto da Criança e do Adolescente e o artigo 251 considera infração administrativa a ação de promover ou de facilitar a saída ou a entrada, no território nacional, de crianças e adolescentes, sem a observância do determinado pelos seus artigos 83, 84 e 85 (autorizações para viagens, por exemplo). Estatuto da Criança e do Adolescente/1990.





A falta de tipificação do crime do tráfico de pessoas no Brasil (objeto do PL 2375) é apontada como a principal dificuldade ao combate desses delitos. A legislação penal, não dá conta da realidade atual, porque o crime de tráfico está atrelado à tipificação de prostituição. Além disso, as mulheres acabam vistas como protagonistas nesses casos, como se fossem também culpadas pelo crime de que são vítimas. E o estigma de prostituição acompanha as mulheres que foram seqüestradas para trabalho escravo, tráfico de órgãos e outras possibilidades do tráfico humano. Numa tentativa de reforçar o trabalho da PF, o governo federal lançou, em 2006, a Política Nacional de Enfrentamento de Tráfico de Pessoas. É composta de ações de repressão, prevenção e atenção ás vítimas. Como parte dessa política, diplomatas brasileiros estão sendo orientados a defender os direitos de brasileiras vítimas do tráfico no exterior.Diversos acordos internacionais para coibir o tráfico de pessoas, principalmente na América Latina, estão em pauta e precisam ser ratificados pela Câmara. Um deles foi aprovado em maio deste ano (Projeto de Decreto Legislativo 2527/06) e prevê a cooperação das polícias do Brasil e da Colômbia no combate a diversos crimes, inclusive o tráfico de pessoas e exploração sexual de crianças. O presidente do Parlamento do Mercosul, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), vê com bons olhos os acordos assinados no âmbito do Mercosul e seus países associados para coibir o tráfico de pessoas. "Até agora o Mercosul vinha sendo muito comercial, e pode se tornar importante na defesa dos direitos das pessoas, nesse que é um dos temas mais importantes atualmente", opina. É difícil encontrar dados sobre o tráfico de pessoas no Brasil, mas a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 250 mil pessoas são vítimas do tráfico humano nos países da América Latina. A Unidade de Combate ao Tráfico de Seres Humanos da ONU (UNODC) está realizando essa pesquisa neste momento, e o ano de 2008 foi marcado pelas ações contra o problema. No mundo todo as estimativas da OIT são de que 2,4 milhões de pessoas sejam vítimas do tráfico humano, pelo menos, metade dessas vítimas de tráfico, são menores de 18 anos.
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25 Nov 2008 

Campanhas de orientação

O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que é presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, cobra do governo campanhas orientando as mulheres contra o crime de tráfico para exploração sexual. Segundo ele, as mulheres pobres que são aliciadas para trabalhar fora do Brasil são muitas vezes enganadas com falsas promessas e precisam de informações. "Um programa voltado para essas pessoas poderia impedir os traficantes, que, enquanto o crime não é propriamente tipificado, vão arriscando", destaca. Uma campanha com esse objetivo está na proposta no Plano Nacional e deve ser lançada no próximo ano. A subsecretaria cuida da melhoria do atendimento às mulheres vítimas do tráfico e já capacitou agentes em 13 estados considerados críticos. Uma unidade de referência foi instalada em Fortaleza, e uma pesquisa para conhecer as rotas e crimes mais freqüentes está em andamento. 


Em 2006, foi criado o Escritório Paulista de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, o primeiro no país. O órgão resulta de uma ação conjunta da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, do Governo Federal e parceiros - Consulado dos Estados Unidos da América, Serviço da Mulher Marginalizada (SMM) e Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e da Juventude (Asbrad).


  O Brasil têm sete ONGs atuantes contra o tráfico de mulheres. A dificuldade maior em combater a prostituição e exploração de meninas está essencialmente, relacionada às diversas formas encontradas, desde jovens que vivem nas ruas, garimpos, sem qualquer estrutura familiar, até o chamado turismo sexual nas cidades do litoral, o turismo sexual fluvial (especialmente nas regiões norte e centro-oeste), o abuso sexual dentro da própria família e a exploração em prostíbulos. Um procedimento que envolve os setores governamentais nacionais e internacionais e ainda as organizações não-governamentais pode significar mais do que uma campanha específica e que pretende deter o tráfico e exploração de mulheres. Assinala que avanços estão visíveis no que se refere à política de direitos e cidadania social, especialmente quando se fala nas mulheres e meninas, mas os problemas de desenvolvimento e da pobreza ainda são maiores e estimulam a prostituição e a lucratividade da indústria do sexo para os países em desenvolvimento da América Latina como um todo. O estudo das rotas ainda pode-se observar a necessidade de políticas públicas nacionais e internacionais fortes e bem estruturadas. Neste sentido, nada melhor do que aproveitar o que já está sendo utilizado como ponto de referência e subsídio para o início da intervenção. O rastreamento vai partir de informações já coletadas por organizações não-governamentais, polícia e Mistério Público. Particularmente, as organizações não-governamentais, por estarem atuando há muito tempo e já acumulam “detalhes e informações” das experiências dessas mulheres, são fonte de conscientização, intervenção e organização.  Nos últimos anos, diversas campanhas foram incentivadas e fomentadas como intuito de, no mínimo, explicitar a real situação em relação ao tráfico e violência contra mulheres. O governo federal tem estimulado a sociedade a denunciar casos de abuso e exploração sexual, para intensificar as ações de combate a esse tipo de violência. No Brasil, as campanhas e as agencias para o combate já ganham espaços concretos ao longo dos últimos anos, ainda mais sendo reforçadas através da punição dos que “gerenciam” a indústria do sexo – desde donos de casas de prostituição ou negociando as próprias mulheres como objeto. Entre as ações previstas no programa estão: a articulação com diferentes setores da sociedade para desmantelar as redes nacionais e internacionais de traficantes de mulheres e meninas; o combate ao turismo sexual por intermédio de apoio à criação de mecanismos de punição de agências que comercializam o sexo: e o fortalecimento do aparelho jurídico-policial mediante a reformulação das delegacias da mulher, em face da criação dos juizados especiais Cíveis e Criminais (Lei n. 9.099/1995). O papel da imprensa no Brasil tem demonstrado que é uma incógnita, ao que se refere à promoção negativa, principalmente quando permite, através de programas femininos no caso da televisão ou anúncios pagos nos jornais, a divulgação ampla de estereótipos e imagens do vir a ser o feminino, de uma ideologia discriminatória e formadora de perfis modelados. 
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25 Nov 2008 

Agência de Modelos Alerta Contra Tráfico de Mulheres


A Ford Models, uma das maiores agências de modelos, entrou na luta contra o tráfico e exploração sexual de mulheres para alertar candidatas a top model sobre a ação de uma rede organizada que age principalmente no mundo da moda. Os criminosos aliciam vítimas com falsas promessas de emprego para, depois, obrigá-las a trabalhar como prostitutas no exterior: Às vezes, até homens são alvos. A campanha contra o tráfico de pessoas, iniciada pela ONU em 2007, será apresentada durante a 16ª edição do concurso Supermodel Brasil, promovido pela Ford. A final ocorerrá na sexta-feira, em São Paulo. “Ficamos impressionados com os números. São 800 mil pessoas que simplesmente desaparecem por ano no mundo”, comenta a vice-presidente da agência e coordenadora do Supermodel, Denise Céspedes. Segundo Denise, as principais vítimas da quadrilha são jovens que sonham com o mundo da moda, mas não têm tipo físico de modelo. “Queremos abrir os olhos dessas adolescentes, para conscientizá-las de que a vida não é um conto de fadas e que elas ainda terão vários “nãos” em seu caminho. Segundo Adriana Maia, assistente de projetos na área de tráfico de pessoas do escritório da ONU no Brasil, os aliciadores geralmente são pessoas conhecidas da vítima, como um amigo, um vizinho. “Por isso, ela se entrega de peito aberto.” Adriana explica que os criminosos obrigam a vítima, antes de viajar, preencher um questionário com todas as informações sobre a sua vida. Ao chegar no exterior, tomam os documentos dela e ameaçam matar filhos ou parentes caso tente fugir. “Vendo-se sozinha em um país estranho, e sem ter como sobreviver, a pessoa acaba cedendo” conta. Segundo Adriana, os principais alvos da quadrilha são mulheres que sonham com o sucesso ou precisam do dinheiro oferecido para ajudar a família . “Mesmo que as vítimas sejam resgatadas, dificilmente denunciam os criminosos ou aliciadores porque têm medo.” Porém, Adriana afirma que às vezes homens também são aliciados, para trabalhar como escravos em lavouras ou confecções, e crianças para venda de órgãos ou adoções ilegais.( Reportagem de Cristina Christiano - Diário de São Paulo – 23/11/2008)
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25 Nov 2008 

Alguns Casos


A maranhense M.M. S, de 26 anos, que, durante cinco anos, foi obrigada a se prostituir no Suriname, após ter sido aliciada na principal feira da cidade. Ela foi convidada para trabalhar como bailarina, mas acabou num clube de prostituição. Outra história fala de duas irmãs de Belém (Estado do Pará), que foram convidadas pela tia para trabalhar no Suriname, onde ela mora. A tia emprestou as duas R$ 200 para que tirassem passaporte em Belém. No Suriname, elas foram levadas ao clube Diamond, um dos mais famosos redutos de prostituição de brasileiras. A dívida era a forma de manter as duas presas ao clube, para que não pudessem fugir. Elas teriam que ficar na casa até pagar a dívida e não poderiam fugir, pois seriam caçadas e mortas Madalena tem menos de 15 anos e sofre exploração sexual para fins comerciais em pleno Centro Histórico de Salvador. Agenciada por um adulto, também divide os ganhos com taxistas que servem de intermediadores com clientes. Ela é natural de Santo Antônio de Jesus (a 185 km da capital) e vive há cinco anos na capital, para onde veio em busca de melhorias. Negra, com baixo nível de escolaridade, Madalena traz no histórico de vida um quadro de vulnerabilidade familiar e financeira, agravado por abuso sexual sofrido aos 12 anos. Ela representa uma das 10 histórias de vida selecionadas pela pesquisa Tráfico de Crianças e Adolescentes Para Fins de Exploração Sexual no Estado da Bahia, cujo lançamento ocorreu na quinta-feira, 23.

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25 Nov 2008 

América Latina - Paraguai




O especialista estadunidense do Departamento de Monitoramento e Combate contra o Tráfico de Pessoas, Phillip Linderman, de visita ao Paraguai, fez uma declaração contundente: chegaram ao Departamento de Estado dos Estados Unidos denúncias sobre o tráfico de 60 mulheres paraguaias para a Espanha e se registra ainda 100 casos de exploração sexual na Argentina. Linderman está trabalhando com a Secretaria da Mulher Paraguaia e participando de várias reuniões para explorar as possibilidades de trabalhar no tema. A informação é do Mujeres Hoy (www.mujereshoy.com), um portal latino-americano dirigido às temáticas de gênero. Além dos dados sobre o tráfico até a Espanha, o especialista mencionou ainda que, na Argentina, poderá haver mais de 100 casos de exploração sexual de mulheres paraguaias. Por sua parte, a Secretaria da Mulher, segundo divulgado pelo portal, tem o objetivo de incluir o tema na agenda pública. A chancelaria nacional também solicitou da Organização Internacional de Migrações (OIM) uma investigação sobre o tráfico de pessoas em relação ao Paraguai, para conseguir um diagnóstico preciso, pois não se tem estatísticas nem informações exatas, salvo as denúncias isoladas e os casos publicados pela imprensa. Ao contrário do que se pensa, de que o tráfico de pessoas é um problema somente do chamado Terceiro Mundo, o problema, ainda que seja mais visível nos países em desenvolvimento, é mundial. Contundo, acrescentou a necessidade do governo paraguaio criar um grupo de ação com estratégias para combater o tráfico. "O diagnóstico é o primeiro passo".




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